Observando a rua pela janela, com a esperança que ela
apareça sorrindo, que meu telefone toque, eu desça com um sorriso no rosto, a abrace,
a beije, pegue sua mão, e caminhe. Fico angustiado, inseguro, com a saudade me
fazendo de refém, não sei o que fazer, se pego o celular, ligo
desesperadamente, só querendo escutar a sua voz, se fico quieto, sem incomodá-la.
Não sei se ela sente minha falta, se ela sente vontade de me abraçar, tanto
quanto eu sinto, assim vou ganhando de tempos em tempos doses de carinho devido
a sociedade que impõe inúmeras olhadas no relógio ou no celular, tendo minutos
para se ver, poder dizer um eu te amo rapidinho, pois tem que ir para aula, ou
para o serviço. A angústia me segue como uma hospedeira que sabe atacar na hora
mais inesperada possível. A batalha do amor vs angústia não acabou ainda, eu
não sei como isso irá acabar, se vai ser cedo, tarde, com intervalos, ou se vai
ser para sempre, o que eu faço é esperar, impaciente por uma resposta, sem
poder cobrar muito para não ser inconveniente, ou irritante. A cortina continua
a balançar, e um beijo no travesseiro com palavras sussurradas estão sendo o combustível
para continuar e seguir em frente.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Estilo filme hollywoodiano
Tudo programado, tudo pronto, palavras perfeitas, a angustia
no peito, o nervosismo nos lábios, tenta uma vez, quando chega na metade do
caminho desiste, pensa e vê que deve esperar mais alguns minutos, está tudo
escuro, ela olha para frente, e ele nem sabe o que está acontecendo direito na
história da tela grande cheia de luzes e risadas, depois de alguns minutos
tenta novamente, e assim vai se repetindo por mais uma dezena de vezes, até que
ele simplesmente faz. Como qualquer filme hollywoodiano tudo seria lindo,
perfeito, com as palavras deslizando pela boca, mas não foi isso que aconteceu. Parte do sufoco saía do
peito, que era substituído por vergonha, e timidez. As palavras tropeçando uma
sobre as outras, uma desorganização, uma aflição, até que vem o silêncio, ele
respira, e diz baixinho olhando para ela, ela aceita. Às vezes a coragem parece
ser a coisa mais assombrosa do mundo, a calma é a maior inimiga da
insegurança. Ter pulso firme para pensar, falar com toda a certeza não é
tão fácil assim, temos que pensar muito antes de fazer algo, ou simplesmente
não pensar quando é uma coisa que nós queremos muito. Bonito, forte, musculoso,
magrelo, branco, negro, não importa, a coragem é algo que só nós conhecemos
quando não conseguimos encontrá-la, muitas vezes ela não aparece na hora
devida, e outras ela só demora um pouco para aparecer.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Cubo Mágico
Me sinto as vezes como um cubo mágico feito, com todas as partes nos lugares certos, com uma felicidade por conseguir depois de tanto tempo algo, a satisfação de finalmente sorrir por motivo nenhum , pode ser que eu não lembre disso enquanto estrago meu pulmão, tragando cada vez mais a minha vida como a fumaça de um Marlboro. Eu não lembro, mas eu sinto, como se cada gargalhada fosse uma válvula de escape, fazendo com que qualquer coisa inferior a isso seja completamente insignificante para mim. Um cubo mágico com tantos mistérios, tantas desistências , tanta perseverância . Logo depois do cubo mágico vem aquela calmaria, o sono talvez ou uma hiper atividade momentânea, ai quando você acorda no meio da noite por causa de algum barulho estranho, ou até mosquitos infernais que te atordoam a noite inteira, faz nos sentir indiferente, mas especial, sem explicação certa, uma sensação de geleia de uva.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Desenho da saudade
Nunca tinha pensado como se desenha à saudade, no começo eu achei que não tinha como desenhar um sentimento, algo que qualquer pessoa consegue compreender, só que eu precisava de alguma forma de conhecer a verdadeira cara da saudade, e percebi que a cara da saudade são as lembranças, sendo elas recentes ou antigas. Aquele abraço forte, com um leve toque de queixo tremido devido à vontade quase incontrolável de chorar, o primeiro beijo, último beijo, um sorriso, uma risada, ou até um olhar timido cheio de pensamentos. O desenho da saudade é feito da roupa que foi elogiada, do céu azul com poucas núves daquela terça-feira, da palheta esquecida , do quadro de uma banda britânica que ganhou no seu aniversário. Esse é o desenho da saudade, é o cunjunto de tantos objetos que fazem você lembrar de alguém, essa é a descrição, que não precisa ser repetida mais de uma vez, pois coisas importantes a gente não esquece.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Um beijo no ouvido
Simplesmente aconteceu, não lembro direito como, mas quando eu menos percebi estava sorrindo, aquele sorriso sem legenda, apenas sorriso, o que será que passa na cabeça daquele garoto de 17 anos, com uma barba por fazer, segurando as alças da mochila com um olhar feliz, pensando longe. Pode parecer burrice pra uns, idiotice pra outros, e amor para alguém, simplesmente amor. Foi no dia 10 de julho, quando qualquer tipo de esperança já não existia mais, a menina da calça de bolinhas e de cabelo cacheado sorriu para o garoto, uma troca de sorriso, algumas palavas, e mãos dadas depois de muito tempo. Um olhar, um sorriso, um beijo, uma mão sobre a outra, brincar de coisas infantis, conversar feito adultos, um eu te amo sincero no alto de uma galeria, não muito no alto, no segundo ou no terceiro andar, numa sacada, olhando o céu, e sentindo apenas alegria, apenas um sorriso.
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