quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Penélope parte 2

          Penélope não conseguia por seus sentimentos no lugar, estava tudo tão embaralhado. Ela era impulsiva e observadora, muitas vezes passava horas e horas apenas observando e criando pensamentos infinitos. Talvez fosse esse o problema, ela pensava demais em qualquer coisa, fazia com que a afobação tomasse conta de tudo. O impulso depois de quase explodir a cabeça de tantos pensamentos, fazia com que ela se arrependesse dos seus atos frequentemente.
         Como seria bom poder desligar o cérebro por alguns dias, meses, anos. Apenas descansar, sem amor, sem paixão, sem responsabilidades, sem mágoa, apenas um corpo parado. Para fugir de tudo isso, muitas vezes Penélope decidia dormir, tentava esquecer do vazio que tinha no peito, quando acordava, olhava para a janela, via que o dia estava lindo, pegava sua câmera, sua bicicleta, um livro e algumas tintas a base d'água. Saia sem rumo, sem direção, apenas pedalava. Olhava para todas aquelas pessoas na rua, pessoas sem sonhos, eram reféns da vida, temiam fazer algo por causa de dinheiro e status. Penélope se perguntava: '' essas pessoas não estão olhando ao redor e vendo que o mundo é enorme, e que elas estão vivendo apenas dentro da bolha onde nasceram.
         Durante sua pedalada escutava de Caetano Veloso a Jimi Hendrix, de Los Hermanos a Beatles. lembrava que em seu quarto havia um quadro da banda The Who que olhava para ela a noite inteira, ela adorava aquele quadro craquelado. Sem medo de morrer, viver, sonhar, Penélope era uma astronalta'' via o mundo de cima, do lado de fora, mas sabia que mesmo assim havia uma âncora a segurando. Ela queria voar alto sempre que escutava o trecho da música ''Have a cigar'' da banda Pink Floyd, esse trecho dizia: ''You're gonna fly high, your're never gonna die''. Ela só não sabia como fazer isso, como fazer a âncora criar asas.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Penélope parte 1

          Penélope era uma garota, pele clara, cabelos cacheados, olhos inocentes, ela tinha muito dentro de si, pensamentos eternos, lembranças, paixões, felicidade, criatividade. A sua beleza era única, mas que só era notada quando escapava um sorriso envergonhado. As vezes Penélope falava demais, a sua linga batia no céu da boca com tanta rapidez que ela enrolava as palavras, muitas vezes quase ninguém entendia o que ela tinha dito.
          Penélope era fotógrafa, desenhista, vegetariana e adorava música. Sabia tocar bateria, violão e as vezes acertava algo no piano. Falava Inglês, enrolava um pouco de Hebraico, algo de Espanhol, mas conseguia se virar em qualquer lugar que fosse, era independente fisicamente, mas havia algo a prendendo, ela não sabia o que era, se eram seus pais super protetores, ou se era ela mesmo que não se impunha contra esse mundo. Certo dia Penélope foi na Redenção, ascendeu um cigarro e olhou para as pessoas, olhando atentamente o comportamento de cada uma, com o seu olhar atento a cada gesto. Seria uma foto perfeita certa vez que viu um pai levantando o filho no colo, ele estava olhando diretamente nos olhos da criança, ambos sorriam. Penélope lembrou da sua infância, na qual seu pai era o seu maior exemplo. Estava quase no final do cigarro quando se levantou da árvore que estava deitada, tinha medo que seu irmão aparecesse, ele não poderia saber que ela estava lá, pois tinha mentido que iria sair para almoçar com algumas amigas. Foi até o Subway, pegou um sanduíche, pão integral de aveia e mel, com tomate, alface, azeitonas, rúcula, pepino, queijo cheddar, molho de mostarda e mel e cebola agridoce. Ela adorava comer isso.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mais ou menos 400 dias

          Daqui a mais ou menos 400 dias um novo universo virá, à milhares de km daqui, onde o frio predomina. Irei me conhecer, viver por mim, sem me preocupar com mais ninguém, tirar tudo isso da minha cabeça. Pelo menos é isso que eu pretendo fazer. Talvez com aquele frio, aquela neve, eu sinta sua falta, saber que você estará aguentando um calor absurdo, enquanto eu estarei fazendo bonecos de neve. O dia chuvoso irá vir de outra forma, com pequenos flocos de neve caindo sobre minha jaqueta de couro. Vou olhar para o lado e saberei que estou sozinho. Sozinho num continente tão longe de casa. Será minha nova casa, um mundo que eu poderei projetar dês do começo, para que pelo menos dessa vez eu não cometa os mesmos erros. Poderei ser meu próprio juiz, onde tudo aquilo que irá me rodear não passará de pessoas que não em conhecem.
         Daqui a 400 dias mais ou menos, poderei acabar aquela música que eu fiz, ou talvez começar uma nova. Poderei esquecer de tudo isso e não escrever nada. Talvez um diário, contando cada dia, se foi legal, chato, divertido, monótono, tanto faz. Escrevendo minha própria história, podendo escolher o que irá vir primeiro, e o que irá vir por último, apenas os detalhes não poderei escolher. Quem sabe não vou embora para sempre.