Ver seu cabelo castanho claro ao lado de sua bochecha branca; não sei quando comecei a reparar, talvez sempre tenha reparado. Como um soco no estômago eu soube da ''notícia'', um turbilhão de emoções vindo ao mesmo tempo. Sentindo seu corpo encostar no meu, e eu recuando. Você achou que era brincadeira... mas logo depois viu que não era, parecia infantil, mas era verdade, eu estava com muita indignação. Depois de um pouco de tensão não queria saber o por que de você ter ido para o quarto ao lado, ter deitado sozinha. Coloquei a máscara do orgulho na minha face e ela caiu rapidamente, mas ainda estava pendurada por um cordão em meu pescoço.
Logo que a vi deitada naquela cama grande, olhei para seu rosto tão lindo e eu não estava acostumado a vê-lo com uma lagrima correndo sob as bochechas. Senti uma dor no peito, mas a máscara ainda estava pendurada. Maldita máscara do orgulho. Tentei fingir que estava com a razão da situação e não deu certo e eu voltei para o outro quarto, pensei,pensei, pensei, pensei, e não cheguei a lugar algum. Uma ''desculpa'' de ambas partes tão superficial quanto a mascara, que ainda estava pendurada por um fio no meu pescoço.
Logo que fui embora, sentindo o vento no rosto que fez com que a mascara finalmente caísse. Com as mãos sob o teclado comecei a digitar, escrever algo. Tentei explicar qualquer desculpa esfarrapada, tendo medo de dizer a verdade por completa. Horas foram passando, o dia estava no fim, mas o sol ainda estava brilhando. Voltei para tentar resolver algo, ou ver se algo se resolveu, ainda não tinha se resolvido. Quando à vi senti vontade de abraça-la, e abracei, forte, me desculpando.
A semana estava apenas começando, e eu ainda não tinha voltado para casa. A noite chegou, e vi ''ele'', fechei a cara, como um túmulo, não sorria para ninguém. O seu sorriso foi ficando menos frequente, me senti culpado, mas não dizia nada para não piorar a situação. Brigas e e discussões durante a semana foram frequentes, as lagrimas no seu rosto mais uma vez fizeram meu coração receber uma facada. Sentei ao seu lado, à vi tão cabisbaixa, isso doeu muito, pedi para que ela desenhasse no meu braço. Uma série de tatuagens de caneta, algumas risadas momentâneas. Uma conversa amiga, uma conversa sincera, de velhos amigos. Outras conversas vieram, mas nada estava resolvido. Isso me deixava desconfortável.
Até que um dia, sem ser programado, sem ser ensaiado, algumas '' verdades'' já ciente por nós dois foram ditas. Sob o doce efeito da bebida, vodka pura, cerveja, a tranquilidade misturada com um pouco de desconfiança. A noite foi passando e o quarto foi ficando escuro e quase vazio, apenas eu, ela e uma garrafa de vodka barata, deitados na cama, um leve beijo fez tudo isso começar. O que começou eu ainda não sei, e nem quero ficar tentando adivinhar. Só quero poder dormir mais uma vez com seus cabelos sob meu peito, sem preocupações, apenas com o som de nossas vozes.
