Parece que faz décadas, mas não passou nem 48 horas, a chave que aperta a minha mandibula foi perdida, meu queixo está solto, meu rosto cansado, abatido, meus olhos estão se rendendo as lágrimas, e o vazio no peito que eu sinto antes de dormir, pedindo o calor de seus abraços, faz eu ter medo do frio, saber que quando eu sentir frio não terá seus cabelos ondulados sob meu travesseiro, não irei sentir seu perfume doce quando dou-lhe um beijinho de leve, estilo filme infantil dos anos 90. Tenho medo de olhar para as pessoas, medo que elas perguntem o que está acontecendo comigo, pois o cara falante, sorridente que todos conhecer não sorri mais, não fala mais que o necessário, apenas corre para longe de todos, rendido em braços cruzados sob uma mesa riscada, ou na parede de um banheiro, com os cotovelos apoiados nos joelhos, falando para si mesmo que está sentindo medo do frio, medo da solidão, medo de nunca mais poder ver o sorriso mais lindo do mundo. A vontade é de retardar o andamento do relógio, fazer ele ficar mais rápido, até chegar num universo fantasioso, que os problemas não existem, que só o seu nariz apoiado no meu, com leves beijos e cocegas para descontrair já são o suficiente. Onde os minutos são horas, eu não sei onde esse relógio acaba.
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