A ansiedade de sair do colo dos pais, viver intensamente,
não ter horário para nada, sair sem avisar ninguém, querer muito que as férias
de verão cheguem logo para que a mudança possa ser feita, tinta nos dedos,
unhas esfoladas, pele áspera, sorrisos de empolgação, é isso que nós
pretendemos, um pouco antes de atingir a maioridade, fazendo parte de um casal
não carnal irei morar junto de uma pessoa completamente maluca, mas uma maluca
gente fina, apenas alguns detalhes financeiros que estão retardando um pouco
essa mudança, mas isso pode ser resolvido (eu espero). Sonhando acordado com um
cigarro no meio dos dedos, um jornal aberto e altas risadas do lado de fora de
um Café na Rua da República, o cara com a barba falhada, tênis de skate, meias
até a canela, com uma cara adolescente, a menina com um cabelo colorido, um
azul perdendo a cor para o verde, calça de abrigo colegial, uma blusa normal,
com tatuagens e pircings, esbanjando felicidade. Um casal não carnal, uma
história de muitas risadas, talvez algumas brigas, muita amizade, uma possível
desorganização no começo, uma evolução, de garotos para rapazes, de meninas
para mulheres. Até a minha maioridade dar o passo maior que a perna é algo que
terei que controlar, se for para acontecer, acontecerá. Paredes pintadas com
desenhos vindos do underground, frases cômicas de pura nostalgia escrita nos
rodapés de um apartamento no centro de Porto Alegre, posso nos ver numa sacada
apreciando o nada, com as luzes de natal brilhando o começo de uma nova
história.

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