quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pugilista



                Não sei como algo tão profundo, com milhares de sentimentos misturados, pode sair do meu peito. Uma lembrança tão antiga, ver meu irmão mais velho chorando, isso doía muito para mim, mas nunca disse nada.
                Um herói de tantas mágoas, histórias e risadas. Muitas vezes contei para meus colegas de aula, micro-histórias do meu tão grandioso irmão mais velho, eu o idolatrava tanto, mas ele sempre conseguia me fazer ficar triste, talvez involuntariamente, mas fazia. Quando escutava o choro ofegante, com olhos vermelhos em lágrimas, que escorriam no seu rosto, isso doía tanto no meu peito, não sabia o que dizer ou o que fazer. Foram poucas as ocasiões, muitas vezes ele não quis brincar comigo, preferia brincar sozinho, nunca entendi isso.
                Anos foram passando, e fomos nos distanciando cada vez mais. Ele sendo o centro das atenções da família, o pugilista, no fundo eu ainda o idolatrava, mas me sentia indizível dentro de casa. Sendo tão seco, tão cru, ele conseguia fazer que eu me distanciasse cada vez mais. Até que um dia veio ele, com palavras amargas diretamente nos meus ouvidos, olhando nos meus olhos, sem sentir nenhum sinal de amor ou de afeto. Da pior forma, aprendi a esquecer que ele era do meu sangue, da minha família, ainda o idolatro por sua força de vontade, e pelo que ele faz, mas aquelas palavras ainda doem nos meus ouvidos.
                Só queria um dia dizer um eu te amo, e dar um abraço de irmão nele, acho que isso não irá acontecer, acho que ele se quer irá ler esse texto, convivo com ele, sei que é meu irmão, que posso confiar nele se precisar de ajuda. Queria apenas não sentir essa mágoa no peito, penso que talvez ele tenha falado aquilo da boca pra fora. Tento ignorar e conviver, mas esse pilar na minha frente, essa criança chorando alto perto de mim, ainda não saiu, transforma-o em mais um estranho no meu cérebro, alguém que quando estou por perto não fico a vontade. Numa casa que eu sou um estranho para todos, mas todos me conhecem.

Nenhum comentário: