Não sei
como algo tão profundo, com milhares de sentimentos misturados, pode sair do
meu peito. Uma lembrança tão antiga, ver meu irmão mais velho chorando, isso
doía muito para mim, mas nunca disse nada.
Um
herói de tantas mágoas, histórias e risadas. Muitas vezes contei para meus
colegas de aula, micro-histórias do meu tão grandioso irmão mais velho, eu o
idolatrava tanto, mas ele sempre conseguia me fazer ficar triste, talvez
involuntariamente, mas fazia. Quando escutava o choro ofegante, com olhos vermelhos
em lágrimas, que escorriam no seu rosto, isso doía tanto no meu peito, não
sabia o que dizer ou o que fazer. Foram poucas as ocasiões, muitas vezes ele
não quis brincar comigo, preferia brincar sozinho, nunca entendi isso.
Anos
foram passando, e fomos nos distanciando cada vez mais. Ele sendo o centro das
atenções da família, o pugilista, no fundo eu ainda o idolatrava, mas me sentia
indizível dentro de casa. Sendo tão seco, tão cru, ele conseguia fazer que eu
me distanciasse cada vez mais. Até que um dia veio ele, com palavras amargas
diretamente nos meus ouvidos, olhando nos meus olhos, sem sentir nenhum sinal
de amor ou de afeto. Da pior forma, aprendi a esquecer que ele era do meu
sangue, da minha família, ainda o idolatro por sua força de vontade, e pelo que
ele faz, mas aquelas palavras ainda doem nos meus ouvidos.
Só
queria um dia dizer um eu te amo, e dar um abraço de irmão nele, acho que isso
não irá acontecer, acho que ele se quer irá ler esse texto, convivo com ele,
sei que é meu irmão, que posso confiar nele se precisar de ajuda. Queria apenas
não sentir essa mágoa no peito, penso que talvez ele tenha falado aquilo da
boca pra fora. Tento ignorar e conviver, mas esse pilar na minha frente, essa
criança chorando alto perto de mim, ainda não saiu, transforma-o em mais um
estranho no meu cérebro, alguém que quando estou por perto não fico a vontade.
Numa casa que eu sou um estranho para todos, mas todos me conhecem.

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