segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quase 6 anos em 1

       


          O vento batia no meu rosto como um sinônimo de liberdade, um manto de cetim que cobria meu rosto suado. A Rua Nilo Peçanha era minha pista de Downhill, por alguns minutos a pessoa mais feliz daquela hora da madrugada, o relógio da praça da Encol marcava 3:50, mais ou menos 17 ºC. O frio após descer do meu skate trouxe uma insegurança que impregnou o meu final de semana. Andando sozinho pela Nilo quase 4h da manhã, pensei em tudo que me ocorreu nesse ano, um ano crucial para todo um pensamento antes muito ingênuo, hoje em dia muito crítico consigo mesmo. Essa cobrança de ter a perfeição nos atos em todos os aspectos, tal neurose fez com que tudo isso me deixasse muito perturbado.
            Quando passei na frente da praça da Encol, logo em frente à parada do ônibus T7, lembrei de tantas datas, algumas boas, outras não tão boas assim. Lembrei do dia 10 de Julho quando olhei para o outro lado da rua e vi o restaurante Subway, do dia 11 de Setembro quando voltei a olhar a parada. Muitas datas marcantes apenas em uma quadra de um bairro nobre de Porto Alegre. '' Tu disse que não ia mais fazer isso'', essa frase me trouxe tantas lembranças, ecoou nos meus ouvidos como uma cena de desenho animado, tendo nos ombros um diabinho e um anjinho. Do dia que prometi que não iria mais soltar a mão, do dia que prometi que não iria mais beijar o ouvido, do dia que falei com os olhos beirando em lágrimas de tanto medo de perdê-la novamente...Só faltou o dia que eu não prometi, o dia que tive medo de falar por algum motivo desconhecido, o dia que sempre esteve na ponta da minha língua, mas nunca tive coragem de olhar no seu rosto e perguntar se isso te incomodava, e quanto te incomodava, não sei por que nunca disse... Agora já é tarde demais.
            Subi novamente no meu Yerbah velho e gasto, memórias antigas vieram à tona. A primeira vez que eu ''matei aula'', a primeira vez que voltei para casa sozinho depois das 21h, a vez que eu corri para escalar uma cerca grande de uma quadra de futebol, apenas para uma diversão momentânea. Quando fui atravessar a rua, e vi que a rua Lucas de Oliveira estava na minha frente, uma rua tão cansativa, tão feliz, tão triste, cheia de lembranças que aconteceram e que não aconteceram. A rua do meu primeiro choro por saber da existência amor, meu primeiro choro de arrependimento, de algo que não havia acontecido ainda. Ó grande defeito de me sensibilizar por coisas que não aconteceram, que eu gostaria que acontecessem.
            Depois de chegar em casa, tirar os tênis e tirar a roupa suada, ir para baixo de uma ducha gelada, com aquela vontade incontrolável de chorar, segurando os lábios para não acordar meu irmão. Sinto-me como um ser que viveu cedo demais, que quis dar o passo maior que a perna, e que está deixando as pessoas passarem diante dos olhos, e não conseguir fazer nada para retardar isso. Quero acreditar que isso tudo vai passar um dia, e que eu não me sinta tão sozinho assim. Um ser avulso num mundo de conjuntos.

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