terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Alcatel

            Hoje era um dia que eu não devia ter acordado...Gostaria de dormir até o segundo sol. Acordei com a chuva fria, o vento forte e o som das janelas batendo contra as paredes do prédio em que moro. Fui para sala, vi meus pais fechando as janelas rapidamente. Peguei um cacho de uvas na geladeira, comi-o rapidamente. Voltei para cama, meu irmão acorda frustrado com o barulho e fecha as janelas do quarto.
            Adormeço, acordo com o sol berrando em meus olhos, procuro meu celular para ver as horas, mas onde está ele? Reviro minha cama, olho na janela, nada dele. Fico irritado, quero muito achá-lo. Pode parecer um motivo muito fútil para ficar irritado a ponto de sair chutando as coisas, jogando às para o alto, querendo achar um simples aparelho sem utilidades muito importantes. Foi por isso que acho que não deveria ter acordado hoje, por um motivo tão idiota, acabei estragando boa parte de meu dia.
            Um amigo telefona para minha casa, ele tentou ligar para o celular, mas não consegue. Chama-me para dar uma volta, ir até minha escola buscar um documento. Saio de casa furioso por causa do maldito celular. Encontro meu amigo, fumo um cigarro, converso sobre algumas coisas, e ele repara que estou com um mau humor muito estranho.
            Vou para casa, tomo um banho rápido, não almoço de tanta raiva. Acabo passando fome à tarde inteira, sem celular, e com o mau humor aumentando cada vez mais.
            Agora me pergunto, porque um celular pode estragar o dia inteiro? Não sei, só sei se queria muito saber o por que de tanta raiva, talvez raiva de tantas coisas que ignorei por muito tempo, talvez raiva de estar fazendo algo que esteja entrando em erupção só hoje. Só gostaria de dormir e acordar quando o céu estivesse levemente nublado, eu não tivesse que ir trabalhar, e o silêncio não fosse mais dono da vergonha, e sim do carinho, saberia que tudo está em paz.

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