quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mapa corporal


            A quase perfeição estética de algumas pessoas, mostra que elas não viveram ou tem vergonha de mostrar o que viveram, querendo apenas a opinião de pessoas iguais à elas. Bonecos de porcelana ou de plástico, cabelos super lisos, pele lisa sem nenhuma cicatriz aparente. Ó ser humano tão tolo a ponto de querer atingir a perfeição estética. Maquiando sua história, seu verdadeiro ser, seu mapa corporal.
            Cada marca, cicatriz, falha, mostra que essa pessoa tem pelo menos algumas histórias. O nosso corpo é como um mapa que nos traz inúmeras lembranças, sendo elas novas ou antigas,   boas ou ruins, são pensamentos, nos fazem seres humanos de carne e osso. O nosso corpo é um grande receptor de carinho, abraços apertados, delicados, rápidos, duradouros, beijos, tombos quando criança, quando jovem e quando adultos. Guardião de tatuagens, cicatrizes, guardião de histórias.
            Sendo um grande mapa, cada parte do corpo seria um estado ou uma região, e só nós sabemos quão importante é cada parte do nosso corpo. Dar mais importância para tais partes não é escondendo-as atrás de maquiagens exageradas, e sim saber qual é o seu valor. De quem você está escondendo isso? Tem vergonha do que? Quer ser melhor no que?
             Nada importa uma beleza estética sem uma beleza interior verdadeira. Muitas vezes devemos ver além do estético, além do popular, e olhar quem realmente somos. Somos seres humanos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lugar do Caralho

            Blink 182 tocava no violão, as paredes eram brilhantes, uma energia psicodélica que entrava pelos meus olhos direto para meu cérebro. Sentia meu corpo formigar, coisa que fazia tempo que não acontecia. Como se aquele sofá fosse parte do meu corpo, risadas altas por motivos quaisquer, construíam a diversão.
            Frases escritas numa página do Word, cada um tinha seu espaço, com sua mente  e coração abertos , apenas sentimentos bons rodeavam o lugar do caralho. Um lugar incomum, onde a luz nega era nossa energia. Uma energia, carregando as baterias cerebrais, deixando o cérebro em repouso, mas ao mesmo tempo consciente.
            Não lembro como e quando adormeci, só sei que acordei numa cama muito confortável, fui até o lugar do caralho para ver se meus amigos estavam acordados.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mochila


            Mochila, ó menina maluca, louca por um Cachorro Gordo sem ervilhas. Essa mochila cheia de sentimentos, uma mochila que cada vez que se abre traz consigo um abraço, um conselho, um ombro para chorar, mais um abraço, risadas, críticas, outro abraço e assim vai. Com os pés tortos, um caminhar lento, a mochila foi cada vez mais se tornando uma irmã para mim, junto de um irmão que está ao meu lado a mais ou menos 5 anos. Ver meu irmão magrelo feliz cada vez que a doce mochila está perto é uma satisfação única.
            Preguiçosa como ninguém, sempre diz ''Leva a minha bolsa?'', eu sempre com aquela cara de '' que merda'', mas mesmo assim levo, reclamando um pouco... Mas levo. Ela com aquele sorriso de criança que acabou de ganhar um brinquedo novo, um rosto maduro quando coloca no pescoço uma câmera fotográfica.
            Minha irmãzinha mais nova, não se preocupe, irei sempre te proteger de qualquer ameaça, sempre irei fazer de tudo para que tu e meu irmão continuem juntos eternamente, a felicidade de vocês dois me faz tão bem. Obrigado por estar sempre ao meu lado nas melhores e nas piores horas. Obrigado por me aconselhar quando eu faço algo errado e me apoiar muito quando faço algo certo. Obrigado mochila, por pagar quase sempre o meu cachorro quente .

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quase 6 anos em 1

       


          O vento batia no meu rosto como um sinônimo de liberdade, um manto de cetim que cobria meu rosto suado. A Rua Nilo Peçanha era minha pista de Downhill, por alguns minutos a pessoa mais feliz daquela hora da madrugada, o relógio da praça da Encol marcava 3:50, mais ou menos 17 ºC. O frio após descer do meu skate trouxe uma insegurança que impregnou o meu final de semana. Andando sozinho pela Nilo quase 4h da manhã, pensei em tudo que me ocorreu nesse ano, um ano crucial para todo um pensamento antes muito ingênuo, hoje em dia muito crítico consigo mesmo. Essa cobrança de ter a perfeição nos atos em todos os aspectos, tal neurose fez com que tudo isso me deixasse muito perturbado.
            Quando passei na frente da praça da Encol, logo em frente à parada do ônibus T7, lembrei de tantas datas, algumas boas, outras não tão boas assim. Lembrei do dia 10 de Julho quando olhei para o outro lado da rua e vi o restaurante Subway, do dia 11 de Setembro quando voltei a olhar a parada. Muitas datas marcantes apenas em uma quadra de um bairro nobre de Porto Alegre. '' Tu disse que não ia mais fazer isso'', essa frase me trouxe tantas lembranças, ecoou nos meus ouvidos como uma cena de desenho animado, tendo nos ombros um diabinho e um anjinho. Do dia que prometi que não iria mais soltar a mão, do dia que prometi que não iria mais beijar o ouvido, do dia que falei com os olhos beirando em lágrimas de tanto medo de perdê-la novamente...Só faltou o dia que eu não prometi, o dia que tive medo de falar por algum motivo desconhecido, o dia que sempre esteve na ponta da minha língua, mas nunca tive coragem de olhar no seu rosto e perguntar se isso te incomodava, e quanto te incomodava, não sei por que nunca disse... Agora já é tarde demais.
            Subi novamente no meu Yerbah velho e gasto, memórias antigas vieram à tona. A primeira vez que eu ''matei aula'', a primeira vez que voltei para casa sozinho depois das 21h, a vez que eu corri para escalar uma cerca grande de uma quadra de futebol, apenas para uma diversão momentânea. Quando fui atravessar a rua, e vi que a rua Lucas de Oliveira estava na minha frente, uma rua tão cansativa, tão feliz, tão triste, cheia de lembranças que aconteceram e que não aconteceram. A rua do meu primeiro choro por saber da existência amor, meu primeiro choro de arrependimento, de algo que não havia acontecido ainda. Ó grande defeito de me sensibilizar por coisas que não aconteceram, que eu gostaria que acontecessem.
            Depois de chegar em casa, tirar os tênis e tirar a roupa suada, ir para baixo de uma ducha gelada, com aquela vontade incontrolável de chorar, segurando os lábios para não acordar meu irmão. Sinto-me como um ser que viveu cedo demais, que quis dar o passo maior que a perna, e que está deixando as pessoas passarem diante dos olhos, e não conseguir fazer nada para retardar isso. Quero acreditar que isso tudo vai passar um dia, e que eu não me sinta tão sozinho assim. Um ser avulso num mundo de conjuntos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pugilista



                Não sei como algo tão profundo, com milhares de sentimentos misturados, pode sair do meu peito. Uma lembrança tão antiga, ver meu irmão mais velho chorando, isso doía muito para mim, mas nunca disse nada.
                Um herói de tantas mágoas, histórias e risadas. Muitas vezes contei para meus colegas de aula, micro-histórias do meu tão grandioso irmão mais velho, eu o idolatrava tanto, mas ele sempre conseguia me fazer ficar triste, talvez involuntariamente, mas fazia. Quando escutava o choro ofegante, com olhos vermelhos em lágrimas, que escorriam no seu rosto, isso doía tanto no meu peito, não sabia o que dizer ou o que fazer. Foram poucas as ocasiões, muitas vezes ele não quis brincar comigo, preferia brincar sozinho, nunca entendi isso.
                Anos foram passando, e fomos nos distanciando cada vez mais. Ele sendo o centro das atenções da família, o pugilista, no fundo eu ainda o idolatrava, mas me sentia indizível dentro de casa. Sendo tão seco, tão cru, ele conseguia fazer que eu me distanciasse cada vez mais. Até que um dia veio ele, com palavras amargas diretamente nos meus ouvidos, olhando nos meus olhos, sem sentir nenhum sinal de amor ou de afeto. Da pior forma, aprendi a esquecer que ele era do meu sangue, da minha família, ainda o idolatro por sua força de vontade, e pelo que ele faz, mas aquelas palavras ainda doem nos meus ouvidos.
                Só queria um dia dizer um eu te amo, e dar um abraço de irmão nele, acho que isso não irá acontecer, acho que ele se quer irá ler esse texto, convivo com ele, sei que é meu irmão, que posso confiar nele se precisar de ajuda. Queria apenas não sentir essa mágoa no peito, penso que talvez ele tenha falado aquilo da boca pra fora. Tento ignorar e conviver, mas esse pilar na minha frente, essa criança chorando alto perto de mim, ainda não saiu, transforma-o em mais um estranho no meu cérebro, alguém que quando estou por perto não fico a vontade. Numa casa que eu sou um estranho para todos, mas todos me conhecem.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Rainy day song Parte 1

July 10 she looked me
and September 11 she said goodbye

I don't remember when I lost her
On rainy day she lay to my bed

Brought a cake of chocolate
it was very, very nice

She said '' I love you''
I said '' Never leave me''

She said '' I'll never leave you''
I said '' I trust you''