terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Comfortably Numb

            Após uma seção de cultura, que banhou minha alma cansada de uma segunda-feira frustrante, um pouco de alegria para esse jovem que está querendo apenas ficar levemente entorpecido, confortavelmente deitado num sofá, sob a luz negra que penetra seus olhos, como uma história que penetra a cabeça de uma criança. É tão fascinante, faz com que tudo tenha sentido, e perca o sentido alguns segundos depois. Estou cansado dessa rotina doentia, que aprisiona os meus pensamentos mais necessários.
            Mais ou menos 1/250, F6.3 e ISO 400 os meus problemas somem. Por que tudo tem que ser tão complexo, gostaria de desligar meu cérebro por algumas semanas. Abraçá-la com a chama de um isqueiro, e fazê-la parte de mim.
            Pode parecer meio desesperador, mas apenas 15 dias de recesso não são suficientes. Pobre garoto dependente de nicotina, quase dependente de THC, às vezes tão sujo, mas tão limpo quando abro os olhos, e vejo que tudo aquilo que queria era apenas estar meio Pink Floyd, meio Comfortably Numb.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Alcatel

            Hoje era um dia que eu não devia ter acordado...Gostaria de dormir até o segundo sol. Acordei com a chuva fria, o vento forte e o som das janelas batendo contra as paredes do prédio em que moro. Fui para sala, vi meus pais fechando as janelas rapidamente. Peguei um cacho de uvas na geladeira, comi-o rapidamente. Voltei para cama, meu irmão acorda frustrado com o barulho e fecha as janelas do quarto.
            Adormeço, acordo com o sol berrando em meus olhos, procuro meu celular para ver as horas, mas onde está ele? Reviro minha cama, olho na janela, nada dele. Fico irritado, quero muito achá-lo. Pode parecer um motivo muito fútil para ficar irritado a ponto de sair chutando as coisas, jogando às para o alto, querendo achar um simples aparelho sem utilidades muito importantes. Foi por isso que acho que não deveria ter acordado hoje, por um motivo tão idiota, acabei estragando boa parte de meu dia.
            Um amigo telefona para minha casa, ele tentou ligar para o celular, mas não consegue. Chama-me para dar uma volta, ir até minha escola buscar um documento. Saio de casa furioso por causa do maldito celular. Encontro meu amigo, fumo um cigarro, converso sobre algumas coisas, e ele repara que estou com um mau humor muito estranho.
            Vou para casa, tomo um banho rápido, não almoço de tanta raiva. Acabo passando fome à tarde inteira, sem celular, e com o mau humor aumentando cada vez mais.
            Agora me pergunto, porque um celular pode estragar o dia inteiro? Não sei, só sei se queria muito saber o por que de tanta raiva, talvez raiva de tantas coisas que ignorei por muito tempo, talvez raiva de estar fazendo algo que esteja entrando em erupção só hoje. Só gostaria de dormir e acordar quando o céu estivesse levemente nublado, eu não tivesse que ir trabalhar, e o silêncio não fosse mais dono da vergonha, e sim do carinho, saberia que tudo está em paz.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pensamento visual

            O momento certo, detalhes que o olho não vê a fotografia consegue enxergar. Uma forma de guardar eternamente inúmeros momentos. Lembranças registradas, perspectivas variadas. ''O que será que ele quis mostrar'' é frase mais comum que vem em minha mente quando gosto de alguma fotografia. Essa é a ideia, pensar, mostrar suas opiniões, refletir sobre o que viram, uma perspectiva auxilia a outra.
            Quando pego a câmera, olho para os lados, procurando algo interessante para fotografar, logo depois tento achar perfeição, a nitidez, ou algo abstrato, jogando com as luzes e cores do ambiente. Criar um ambiente fotográfico, usar tintas, objetos, a natureza, algo que possa mostrar a sua opinião para os demais. Uma forma de expressão concreta, acessível para todos que tem o privilégio da visão.
            Rever os nossos sentimentos podendo mostrá-los com imagens. Sobre os nossos corpos, pinturas e objetos, fotos antigas nos olhos, na boca, no peito, nos membros. Poder explicar o sentimento de alguma lembrança, sem precisar dizer uma palavra se quer. Coisas que todos vêem, que está no nosso dia-a-dia, talvez como pensamentos, risadas, gestos. O ser humano podendo abrir sua mente e compartilhar com os demais.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Do you know?


          

           A pior coisa é não saber o que fazer, o que pensar, no que dizer. Esse sentimento sem legenda dói muito, machuca muito, como um ponto de interrogação cutucando seu cérebro, querendo alguma resposta, mas você não sabe o que fazer. Eu prefiro ficar triste a sentir isso novamente, pelo menos a tristeza eu saberia dizer o motivo.
            Deitado na cama olhando para os lados, não saber pra onde ir, nem o que assistir na televisão. Como dói essa dúvida de não saber o que é melhor para si mesmo. Fui dar um volta pelo bairro, pensei sobre a escola, o serviço, os amigos, o amor, a falta do amor, minha família, no meu futuro, mas mesmo assim não conseguia fazer nada para tirar esse sentimento de dúvida do coração. Enganar a si mesmo, tentando maquiar os sentimentos com qualquer tipo de lembrança recente, é fugir dos problemas e não enfrentá-los de frente.
                Esse sentimento passou, não sei como, só passou, pode ser que eu tenha tirado a dúvida, mas eu não sei em relação a que. A dúvida de querer saber o que poderia acontecer, é muito pior que a dor da certeza do fracasso.